Prólogo: Gran!

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Não sei se deveria começar minha história da maneira como ela realmente começa. Mas aprendi que no nosso mundo, não há história se não há morte – não há história sem tristeza. Já para nascer precisei levar a vida da minha mãe, que aliás nem imagino como era. Meu pai foi afastado de minha mãe antes mesmo de ele saber que eu estava por vir. E isso é tudo que sei sobre eles. Fui criado nos centros de concentração dos malditos humanos. Nunca tive a honra de ter um nome completo, e só isso já era o bastante para fazer me esconder. Durante essa parte da minha vida atingi minha maioridade sem precisar provar isso a ninguém. Foi durante esse período que eu descobri também que só poderia confiar em um ser: Klufos. Klufos era um cão de guarda que nos vigiava dentro dos campos, mas de alguma maneira consegui uma amizade tão forte com ele a ponto de atiçar ele em cima de um dos guardas humanos que ousara cuspir em mim dias antes. Esse guarda foi afastado dos campos, pois ninguém acreditara em sua história: um cão que o atacara a mando de um orc com pouco mais de 5 anos de vida, ainda assim os outros guardas tentaram sacrificar o cão agressor, mas depois de um tratamento que eu nem sei como fiz, Kuflos voltou a correr pelos campos, mas dessa vez ao meu lado.

Minha liberdade veio meses após atingir minha maioridade. Thrall, grande orc esse, foi nosso grande libertador e fiquei feliz e honrado de poder participar da nova Horda e quem sabe um dia dizimar todos aqueles malditos humanos. Durante a rebelião consegui refúgio junto do clã Warsong, durante esse curto tempo que passei junto desses fortes e corajosos Orcs, me fortaleci retirando madeira dos campos e treinando junto com Klufos – nós estávamos cada vez mais unidos. Conheci Grom Hellscream, um orc formidável – e querendo provar meu valor à ele fui ajudar na defesa dos goblins no Vale Cinzento. Com certeza alguns humanos porcos viriam tentar nos impedir e eu iria repelir todos – ao menos era isso que eu imaginava…

Em certo dia ao entardecer, Klufos estava bem inquieto, isso era um sinal, um sinal que para mim estava bem claro: Perigo! Minutos depois o céu começou a escurecer, estava vindo uma tempestade, uma das fortes, uma que mudaria minha vida para sempre. De um momento para outro bolas de fogo começaram a cair do céu, e vi surpreso que nossos inimigos naquela noite não seriam os humanos, algo bem pior… infernais. Aquela visão me terrorificou, nunca havia visto algo como aquilo, mas Klufos já, e sabendo que eu estava em choque ao ver coisas tão horrendas que caiam do céu se levantavam e saiam destruindo tudo que viam pelo caminho, Klufos me mordeu… mordeu a tal ponto de rasgar minha pele e deixar a carne exposta. Uma cicatriz que ficará pro resto da minha vida, uma cicatriz de união, a cicatriz que salvou minha vida.

Ao sair do estado de choque não sabia o que fazer, ou melhor sabia muito bem, mas não sabia se seria a melhor opção, novamente Klufos pareceu perceber minha confusão e indicou o caminho, o único caminho “semi” seguro por enquanto: longe do vale, para dentro da floresta. Passei horas correndo junto com Klufos até alcançarmos um lago. Eu estava perdido, mas resolvi parar por ali, ao menos por enquanto – na manhã seguinte teria que fazer muita coisa se quisesse sobreviver.

Tolo de mim ao pensar que teria uma noite tranquila. Acordei com os latidos de Klufos em direção às sombras da floresta, algo estava errado, havia algo ali e com certeza eu não queria enfrentar o que estava ali. Olhando fixamente para o ponto aonde Klufos dirigia os latidos, empunhei meu axe e esperei que algo acontecesse, e algo aconteceu, um clarão surgiu do nada e passou por entre eu e Klufos em uma velocidade incrível causando um grande estrondo em algo que acertou atrás de nós. Seja quem for que havia atirado aquilo demonstrara ter uma péssima mira. Mas quando olhei pra trás para ver o estrago que aquele clarão havia causado fiquei surpreso ao ver um infernal despedaçado. O ataque não foi direcionado a mim, mas sim a aquele infernal que estava preparado para acabar comigo e com Klufos. Quem quer que estivesse escondido atrás das sombras, não era inimigo.

Após alguns segundos ele decidiu se revelar. Um pele rosada forte, saiu do mato empunhando uma daquelas invenções loucas dos anões. Mas se ele achava que iria brincar comigo antes de me matar, ele estava muito enganado, ele ia morrer, o primeiro de muitos. Mas então, ele abaixou a arma e sorrindo disse algo que eu não compreendi, Klufos parou de latir e a mim não restava nada além de baixar meu machado e deixar o humano seguir em paz. Mas ele não seguiu, sentou ao meu lado feliz, provavelmente por ter encontrado companhia. Ainda rancoroso ofereci o que sobrara do meu jantar para ele, que ele comeu satisfeito.

No outro dia, ele continuou me acompanhando, conseguimos começar a nos comunicar, pouco a pouco fui aprendendo a linguagem desses pele-rosadas. Descobri que ele se chamava Rhorak e que estava perdido na floresta como eu. Nas semanas seguintes continuamos procurando por alguma alma viva na floresta para voltarmos a nossos locais. Enquanto ele enfrentava com muita bravura os demônios que vez ou outra aparecia, eu cuidava de caçar e procurar trilhas pela floresta.

Logo no final da segunda semana a floresta começou a se dissipar e a terra seca de Barrens surgiu aos nossos olhos. Rapidamente consegui encontrar a estrada de ligação de Barrens e Ashenvale. Ali seria onde nos separaríamos, evitei fazer cerimônia mas devia muita coisa aquele pele rosada que agora se dirigia a região oposta a minha. Será que um dia eu o reencontraria? Com certeza.

E foi esse mesmo pele rosada que eu encontrei hoje e dei um fim à essa batalha infernal, onde os humanos com certeza sairiam massacrados. Dei lhes a chance de sair ilesos do território, não tanto pelos humanos em si, mas eu sabia que ali entre eles havia um que realmente era diferente, e esse um não merecia o mesmo fim dos demais. Agora eu estava livre, já havia pago meu salvador na mesma moeda.

Garruk, um orc que acha que é superior a mim (só na teoria), não gostou nada nada do que fiz e com certeza vai tentar alguma gracinha. Mas eu estarei preparado, não será ele que botará fim nem medo ao grande Gran!



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Sobre o Granfino

Jogo WoW desde 2007, sempre como hunter e já matei o Kael em seu auge. Quem quiser me encontrar é só procurar o Granfino no Warsong. For The Horde!!!